Por entre as páginas poesiando e a alma desatando...



sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Deixe-me ser



Deixe-Me estar triste
E no rosto transparecer
Deixe-me ser feliz
E a vida em mim florescer
Deixe-me ser livre para escolher
Deixe-me ser o que eu quiser ser
Deixe-me contenciosa fugir
Nos momentos de indecisão
Deixe-me ficar e lutar
Quando certa da minha razão
Deixe-me rendida amar
Tudo o que tocar ao coração
Deixe-me silenciosa ouvir
A canção de cada essência
Deixe-me inconsolável chorar
E despertar a minha inocência
Deixe-me enlouquecer
Ou simplesmente nada fazer
Deixe-me ser fraca
Quando não me sentir pronta
Deixe-me ser forte
Quando a vida pedir uma afronta
E quando nada acontecer
Deixe-me apenas ser...
    
                Izabel Peçanha Oliveira

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Transmutação


Quando eu tinha dezesseis
Escrevi sobre dois amores
Recordando, aos vinte três
Percebi que nem tudo foram flores
Escolhi quando foi preciso
Vivi tudo que ansiei
Tive lucros e prejuízos
Cresci e amadureci quando precisei

Não tenho arrependimentos
Desta adolescência querida
Foram bons e ruins momentos
Ensinamentos que levo na vida
Aprendi que amores vêm e vão
Que depois da escuridão vem a luz
Que a vida é uma transmutação
A que o tempo aos poucos me conduz.

Preparo-me para o que virá
Após esta adolescência irascível
Sei que a diferença se fará
Por uma experiência flexível
Que seja o que tiver que ser
Porém com muita confiança,
Lutando pelo que se quer
E estando pronta para as mudanças.

                        
                            Izabel Peçanha Oliveria

Tepidez

Hoje é um dia confuso
Quando um sentimento tépido
Arrebata-me para nada fazer
Sinto-me aos poucos enlouquecer
Num desafio patético
De ser ou apenas padecer
Da solidão acompanhada
Que desta alma faz morada.

Numa noite sem sentido
Faço mesuras ao desconhecido
Num esforço extenuante
Que tem o tíbio como amante
Que vontade de gritar!
De fazer o que ninguém fez
De sair, ficar, ou sei lá
Por pelo menos uma vez.

Venha a mim a madruga
E tudo mais que dela vier
Vou ainda estar apaixonada
Pelo que minha alma quiser
Que tudo volte ao normal
Que este sentimento inefável
Substitua-se por outro informal
Com uma essência irrefutável.


                Izabel Peçanha Oliveira

Numa noite sombria


Ali sentada, eu via a vida passar
Deixando às oscilações de pensamento
O ar gélido da noite inebriar
A voz se via a calar e a mente a viajar
Pelos espaços do sentimento
Daquele conciso momento.

Eu estava condescendente
A uma noite sombria
Embora com grande euforia
Por lembranças intermitentes
Também por horas a agonia
Mostrava-se, contingente.

Pareceu uma eternidade
Mas foi apenas um ensejo
Para encarar a realidade
E pôr em seus lugares prioridades e desejos
Por instantes de aflição e enlevo.


                        Izabel Peçanha Oliveira